quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Outra dose de amor, por favor.

- Hey garçom, me vê outra dose de amor.
- Mais uma?
- Sim vamos, me sirva mais uma dose de amor
- Já tem dias que você vem aqui e fica embriagada de tanto amor. Pra que isso menina?
- Pra preencher meu vazio, outra dose de amor, vamos, ande logo!
- Uma dose de amizade?
- Não, outra dose de amor.
- Não entendo pra que tanto amor, há outras coisas que podem preencher teu vazio.
- Nada preenche. Outra dose de amor por favor, que eu preciso amar pelos dois.
- Pelos dois?
- Esquece, não quero falar. Me sirva outra dose, e me deixe sozinha.
- Não vou te servir outra dose. Você mal consegue se levantar, está com os olhos vermelhos de tanto chorar, não come nada e só fica pelos cantos solitária, com o olhar distante se embriagando de amor todos os dias!
- Quanta petulância, ande me sirva!
- Tudo bem, aqui está.
- Obrigada.
- Quer companhia?
- Não, estou bem sozinha.
- Anda tão triste, que chega a dar...
- Pena?
- Sim...
- Não sinta pena, eu odeio que sintam pena de mim!
- Por que essa tristeza?
- Estou bem!
- Não, não está, esconde a tristeza no jeito de andar, no jeito de sorrir, pode até tentar enganar teu próprio reflexo, mas seus olhos andam tão tristes, que te entregam.
- Os olhos só refletem o que há no coração...
- E por que teu coração anda tão triste?
- Ah garçom, eu já disse, ando vazia. E por falar nisso, meu copo está vazio. Ande me sirva, outra dose de amor.
- Tudo bem. Vou servir, um minuto.
- Isso, outra e outra. Quero mais amor...
- Em que está pensando?
- Como o dia pode engolir o vazio?
- Não sei...
- Fecho os olhos embriagada de amor e sonho, enquanto tento enxergar as cores que  eu invento o dia a dia não me  engole.  Mas têm horas que eu olho com os olhos que olha, e fica tão escuro, e você me pergunta se eu estou triste. Não estou triste, ando vazia, perdida nessa escuridão.
-  Ah menina, tem procurado coisas sem resposta. Não sabe as respostas. Mas inventa. A mim não convence, anda triste. Não mente pra mim sei que está triste,  não pode se embriagar de amor todos os dias.
-  Não estou triste, estou desabando. Mas é o único jeito que encontrei de estar com ele, e se for assim, prefiro ser triste.
-  Não está certo, não se pode amar pelos dois!
- Hey, o que tinha nessa bebida?
- Amor.
- O  gosto está diferente. Me sinto melhor...
- Amor próprio, menina.  Amor próprio! Outra dose?

sábado, 3 de setembro de 2011

É Setembro...


É SETEMBRO, mês das flores, da despedida do inverno e as rosas de minha mente se abrem, na expectativa doce de que tudo que tiver que ser, será... E nessa noite chuvosa, percebo que existem dentro de mim possibilidades futuras, jamais perdidas, de um conto que poderá existir num mês de SETEMBRO!
 É SETEMBRO, o inverno se vai e leva meus medos, a primavera chega me acordando apressada, o ar está mais puro, sem sobrecargas do desespero de Agosto, e nem da aflição que existe somente em Julho. Setembro, mês das flores, o mês em que as fadas saem para brincar, o mês em que é mais bonito desejar.
 É SETEMBRO, é hora de sair por aí, enfeitar as ruas de sorrisos, flores e borboletas. Logo não haverá mais folhas secas caídas no chão, e nem dor no meu coração. Logo irei pintar esse meu mundo preto e branco com as cores antes tímidas, vou estampar de cores meu mundo, num festival delicioso em que o astro principal irá iluminar, iluminar os mares do meu mundo, secar meu dilúvio interno. Setembro me mostre suas flores, em cores, me faça esquecer as dores.
 É SETEMBRO, que vem e vai sem despedidas, sem adeus, sem desespero, sem choro. Vou sentir a brisa suave sobre o meu rosto, desajeitando meu cabelo que já não é da mesma cor, setembro... mudanças... renovação! O mês em que as flores nascem,  o dia se acalma, e o espírito também se renova. O mês em que trás renovação e a esperança, já que o fim do ano está próximo.
 É SETEMBRO, e um perfume antigo se faz presente, trazendo consigo a nostalgia dos outros meses, a quietude do meu ser, e por alguns instantes deixarei de respirar. Fecha-me os olhos, me tira a razão, enche de esperança o meu coração.
 É SETEMBRO,  e Agosto se foi, bateu a porta e se foi, não irá voltar tão cedo. Mas chegou Setembro e eu encontrei as chaves dessa janela, veja você, encontrei as chaves... Vou escancarar minhas janelas, e correr de encontro aos meus sentidos, descobrir um novo cheiro, sentir um novo gosto, provar um novo veneno, desvendar um novo mistério, sentir um novo toque, conhecer mais um dos meus milhares sorrisos, me encontrar de novo no olhar de um novo amor. 
É SETEMBRO, e a tempestade de agosto cessou, uma onda de felicidade me arrastou, atingiu meu corpo, se fez de alegria a espuma e eu me deixei levar, até a praia de Setembro, me deixei levar por novos sonhos e novas intenções. Abandonei na maré todas as dores, abandonei na maré antigos amores. Veja, não há nuvens no meu céu, é o mês da primavera, o sol está ameno, toca minha alma apenas para aquecer, não agride, não machuca, só agrada. Estou novamente sorrindo, colorindo meus dias outrora sombrios.
 É SETEMBRO, calma, mais um mês e vou crescer, me transformar aos poucos naquilo que sonhei. Estou abandonando as lembranças de Julho e os sofrimentos de Agosto. Veja só, estou seguindo em frente, sem reclamar, estou seguindo em frente, minhas lágrimas estão secando, mais um ano...  Está orgulhoso? É hora de cortar as raízes e plantar novas sementes. Não vou impedir meu destino, não vou impedir o futuro de chegar, cada passo adiante não é um passo mais distante, é um passo a mais pra te encontrar. Veja só, Setembro, renovei minhas esperanças, meu coração despedaçado em pétalas está brotando outra vez.
É SETEMBRO, é hora de erguer a cabeça, e se maquiar, arrumar a minha vida que anda bagunçada demais. É hora de apostar numa nova história, um dia de cada vez, preencher de cores essas páginas em branco, vários sonhos e inúmeras frases. Agosto já passou, não quero ser masoquista, nem pisar nos outros sonhos, quero poder escrever sem mágoa, quero aprender a silenciar a dor, diminuir meu tom de voz, quero amar sem culpa ou sem medo, quero amar escancaradamente, cair e levantar se preciso. Afinal, haverá outro Setembro pra sarar novas feridas de um ano inteiro, e renovar a fé.
Quero Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro. Quero fé, quero que os sonhos se realizem, que os milagres aconteçam, quero sorrir, aprender, enfrentar. Quero entender o valor de um amor, quero aprender novos truques, me encantar com novas cores, me perder em outro amor. Quero perdoar, esquecer, desejar. Quero amar e ser amada. Quero aprender a me amar antes de tudo. Quero crescer... Mais um mês e eu vou crescer...
E você? Quer o que de Setembro?