sábado, 20 de agosto de 2011

Esperança através do vidro

 De frente  pro espelho eu vejo aquela menina me olhando fixamente com os olhos cheios de água, com a face entristecida, um olhar distante, perdido, ela agora força um sorriso para mim. Eu conheço a dor dela e parece que ela conhece a minha, ela levemente desfaz o sorriso e deixa escapar uma lágrima. Não, não chore menina - eu sussurro. E agora eu sinto uma enorme vontade de abraçá-la bem forte, e chorar com ela. Vamos, pode chorar, se entregue a tristeza, não tente reprimir suas lágrimas, não abafe o choro. Depois quando ela se acalmar,  eu vou enxugar suas lágrimas e lhe dizer que vai ficar tudo bem, que isso tudo vai passar...  Óh, me deixe te abraçar doce menina dos olhos tristonhos, ficam tão verdes quando chora.  Me diga em que pensa, um doce pelos teus pensamentos mais secretos.  Não chore assim. Vamos, me deixe te abraçar.  Tento tocá-la mas tem um vidro que insiste em nos separar, eu tento tocar seu rosto e eu percebo que ela também tenta tocar o meu, mas é sempre inútil tentar, esse vidro não nos permite sentir, insiste em nos separar. Durma menina, como diz a canção, o sono também salva ou adia. Quero te ver logo pela manhã  com um sorriso estampado no rosto e poder lhe desejar bom dia. E assim em falsos sorrisos transpassar as horas, até a noite chegar e em lágrimas de novo seu travesseiro banhar. Mas não tenha medo, estou contigo,  minha menina. E a única certeza que tenho, é que enquanto eu puder vê-la através do vidro, ainda resta alguma esperança em mim. 

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