quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dédalo

O meu ser transborda num mar agitado de sentimentos
Vibram em mim lembranças saudosas do passado
Gritam em mim esperanças de um futuro incerto
Estou presa nessa zona limítrofe de dédalo

Não existe presente
Enquanto o futuro não chega o passado não se vai
A ampulheta da vida se fez resistente
Morri centenas de vezes e acordei entre ais

Esse silêncio é pior do que gritos histéricos
É como um veneno, o mais longo suicídio
O mundo se fez surdo ao som da minha voz
Transformando gritos em ecos emudecidos

Vou acorrentando sentimentos
Tingindo de carmim meu coração enegrecido
Cristalizado em gelo, que quase não pulsa
Condenando-me ao isolamento

Isolando-me da verdade e afastando-me da compreensão
Eu insisto em ver o mundo em preto e branco
O concreto não me parece mais atraente
Flutuo em imaginação

Tantos vazios, tantos abstratos que eu temo
Um fio para manter de pé dois mundos
A solução está em algum lugar entre os opostos
Presa entre os extremos

Pensamentos se movem como um vento incansável
Vou deixando-me guiar por nuvens obscuras
Diante dessa irregularidade insanável
Vou me mantendo segura

Escondida atrás de sorrisos vazios
Cercada por espelhos que não me dizem quem sou
Portas chaveadas pelo medo tardio
Desespero-me sem saber pra onde vou

A cada nascer do sol renascer com a esperança
Escalando paredes ásperas onde eu pinto a minha dor
O vento sopra forte e me derruba a cada rajada que lança
A escuridão me vislumbra e eu caio em dissabor

Mergulho dentro de mim 
Seguindo atalhos e caminhos que não me levam a nenhuma direção
Nos becos escuros desse labirinto sem fim
O tempo vai passando deixando memórias espalhadas no chão

O inimigo está em mim, difundido
Guiando-me por destinos vazios e falsas passagens
O medo que trago no peito contido
Não me permite mudar essa paisagem

A cada nascer do sol renascer com a esperança
O tempo vai passando sem mudar as coisas de lugar
A escuridão me vislumbra e eu caio outra vez
E o tempo vai fechando me fazendo chorar

Vultos me cercam tentando me distrair
Querem a todo custo me fazer desistir
Se ao menos você pudesse me ouvir
Se ao menos você pudesse sentir

Se pudesse entender
O que com essas rimas eu venho tentando dizer
Gritaria meu nome no alvorecer
Fazendo todas essas paredes estremecer

E ruiriam ao meu redor
Deixando destroços no chão
E essas rimas sem nexo
Se transformariam apenas em canção

Nenhum comentário:

Postar um comentário