Vivemos na era do egoísmo. Ninguém quer saber da verdade. Ninguém se preocupa com nada, além do seu próprio umbigo. Vivemos trancafiados em nós mesmos. Nossas dores são as mais doloridas do mundo, e as nossas alegrias as mais contentes. Perguntam “como você está?” por educação, e você responde “estou bem” por costume. Perdemos a vontade de dizer como realmente estamos, porque sabemos que as pessoas não tem, a menor vontade de saber. Isso não altera em nada, o rumo da vida delas. É tudo parte de um grande teatro, chamado civilização, estabelecido nesse troca-troca, cada qual segue sua vida, pouco se importando com o motivo da felicidade ou da desgraça alheia.
Pense em quantas pessoas você vê por essas ruas movimentadas todos os dias, na fila de um super-mercado, no metrô, num ônibus, no banco de uma praça, na escola, no trabalho, estão por toda parte. Homens, mulheres, crianças... todo mundo é sozinho, todo mundo está em busca de alguma coisa, todo mundo quer respostas. Todo mundo precisa de sentido pra viver, todo mundo precisa de consolo. Todo mundo precisa de ajuda. Estamos todos unidos, em nossa solidão, acolhidos pelo mesmo céu. Somos todos personagens de um mesmo cenário. Todo mundo precisa de todo mundo, estamos de certa forma conectados, pela tristeza, pela dor, pelas alegrias, pelo amor, pela solidão. Quando eu paro pra observar essas pessoas caminhando pelas ruas da minha cidade, eu fico pensando o que elas estão sentido? O que elas escondem num sorriso? Talvez elas estejam sofrendo, mais do que eu. Talvez elas estejam tanto quanto eu, implorando por um abraço. Somos todos pobres coitados carentes, fadados à frustração e tristeza.
E eu continuo aqui, congelando meu coração.
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