Me diga você, pelo que vale a pena lutar? Quando é que vale a pena não morrer? Pela vida? O que é a vida sem o amor? Pelo amor? Eu não sei, minha fé caminha sobre cacos quebrados, ultimamente o amor tem me feito duvidar, me deixa sem ar, me sufoca. E a dor pesa, pesa como o orgulho e o meu medo me destrói. Quando eu estava no fim do caminho eu me perdi, perdi todo o sentido do controle, meus pensamentos aceitaram meus pedágios Eu procurei um lugar pra me esconder, eu procurei as palavras certas pra dizer. Mas as palavras cortam, aproveite o meu silêncio, porque minhas palavras cortam. Dói muito escrever essas palavras cortantes, é o mesmo que me cortar. Porque antes delas saírem, antes de algum dia você supostamente lê-las elas tem que passar por mim. E toda dor que elas transmitem, antes passa por mim, e todas as lágrimas que elas causam, antes sou eu quem as derramo. Está aqui dentro, e eu posso sentir elas me cortando a todo instante. Está sangrando e eu posso ver o sangue. Posso escutar pingar no assoalho. E a ressaca não passa; e a insônia não dorme nunca. Nada é construído para durar, tudo desaba, e o que resta são ruínas… Sabe quando algo dói tanto que você não consegue nem chorar mais? Secaram todas as lágrimas, mas a dor continua ali, intacta. Eu preciso me libertar, me libertar de mim mesma. Me libertar desse amor criado, imaginado, inventado que nunca vai acontecer. Eu preciso voltar à realidade, viver.
Texto de: Samara Caetano e Julio Ferreira
Texto de: Samara Caetano e Julio Ferreira
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