segunda-feira, 6 de junho de 2011

Troco lágrimas por palavras

Não sei controlar meus dedos diante dessa folha em branco, não sei controlar meus pensamentos, meu coração, minhas lágrimas. Eu nunca soube falar direito de boca aberta, só de boca fechada, e as palavras transbordam, rasgam a alma no conflito entre o cérebro e o coração.
Escrever, escrever, escrever, sem rumo, sem direção, no mesmo lugar eu vou longe, como se todas as palavras fossem acabar em um segundo, como se eu pudesse silenciar tudo em um instante, como se a dor fosse passar e a vida chegar ao fim. Escrever sem me importar com erros de ortografia ou coerência textual, escrever sem números de linha determinado, escrever sem saber se algum dia vai ser publicado, se alguém irá ler se irá entender se vai sentir o que me faz pulsar. 
Escrever, escrever, escrever, sem me importar se esse vai ser mais um texto triste, ou alegre. Escrever para depois ler e me entender, crescer.  Escrever pra me salvar, escrever pra desabafar, pra gritar esses silêncios que dormem em mim. Clichê? Pode ser, mas é a verdade que ainda me mantém. O combustível pra continuar, o remédio para amenizar a dor, o vício pra me libertar, a droga certa para me salvar. Troco lágrimas por palavras, palavras por sentimentos. Palavras, não são meras palavras, em cada uma delas há uma gota de sangue, uma lágrima de dor, uma respiração ofegante, um suspiro dessa alma cansada. E assim vou aquietando esse meu coração hiperativo, sossegando sentimentos. E vou me mantendo estável, sem desequilíbrios, sem destemperos, sem sobressaltos. 

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